Salvem o atum! | A extinção iminente da espécie

Salvem o atum! | A extinção iminente da espécie

Como cozinheiro e amante da gastronomia me sinto no dever de me preocupar com os nossos ingredientes e a sua escassez, pois na maioria das vezes estamos tirando eles da natureza. Estamos vivendo em um mundo onde a demanda por alimento está cada vez maior, e aliado a isso, a nossa preocupação acerca desses produtos esgotáveis também precisa aumentar. Tudo precisa de certo controle, e principalmente de um limite, o que de fato não vem acontecendo com o consumo abusivo daquele que está prestes a “sumir do mapa”, o atum.

Sem duvidas alguma influenciado pela “globalização do sushi”, o consumo do atum teve nos últimos anos um aumento acima do normal, e com isso chegamos a um cenário extremamente preocupante. Cada vez fica mais difícil pescar um atum, principalmente se for um atum grande, pois de tempos em tempos eles diminuem de tamanho. O motivo? Uma pesca totalmente sem controle. A alta demanda pelo peixe está afetando a população dos mesmos, ou seja, não está dando tempo do peixe crescer e se reproduzir.

Sim, o atum está prestes a acabar, e nós de perdemos esse privilégio de experimentar uma carne tão deliciosa. A escassez chegou ao ponto de um atum valer milhões nos famosos leilões nos mercados japoneses. O Japão, que é o maior consumidor do peixe, já tem a extinção do peixe consolidada em suas águas, e os outros países que possuem o peixe em seus mares, caminham pelo mesmo caminho, principalmente o Brasil.

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O Brasil é hoje um dos últimos santuários do atum do mundo, e infelizmente também enfrenta uma pesca descontrolada, regada a interesses financeiros. Quem mais se aproveita dos atuns que estão na costa brasileira, são os barcos japoneses, por causa de uma lei criada na época do governo FHC, que facilitou o arrendamento de embarcações estrangeiras no litoral brasileiro. Barcos brasileiros enfrentam hoje em nossa costa, uma concorrência desleal de gigantes barcos japoneses como mostrou a “Folha de São Paulo”. Essa sobrepesca mata o peixe antes mesmo dele atingir a idade para se reproduzir, levando assim a uma extinção próxima.

Diferente do Salmão, o atum ainda não é criado em cativeiro. (salvo exceções de quem retira o peixe do mar ainda pequeno). Ele possui uma vida bem mais complexa que o salmão, tendo que estar sempre migrando, e além de tudo não se alimenta de ração, apenas de alimentos vivos. Uma série de pesquisas está em andamento para que a criação do atum em cativeiro seja possível, salvando a espécie da extinção assim como foi com o salmão.

O risco iminente de extinção do atum é por total falta de controle dos órgãos responsáveis que precisam mais do que nunca se atentar para uma causa tão importante. A extinção de um grande peixe como esse gera uma série de problemas, inclusive um enorme desequilíbrio ambiental. Não se pode permitir uma pesca abusiva do atum, sendo necessária uma imediata proibição de sua venda e um controle da pesca, com o objetivo de salvar a espécie. Nós consumidores, temos a obrigação de evitar o consumo, e pensar pelo bem do meio ambiente.
The Black Market in Bluefin Tuna

– MERCADO NEGRO DO ATUM:

Gráfico acima destaca fraude generalizada, sobrepesca, e falta de controle. Aviões são usados irregularmente para localizar os atuns no fundo do mar. Atuns pescados são transferidos para grandes cargueiros (a maioria sem licença), e levados para o Japão. Peixes de todos os tamanhos são pescados, sem nenhuma fiscalização. A pesca de atuns ainda pequenos gera grande desequilíbrio na população dos peixes.

Mesmo que tarde, vamos lutar por essa causa.

Salvem o atum!

– Bibliografia: Folha de SP e Planeta Sustentável


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