S.O.S peixes e a necessidade do “Slow Fish”

S.O.S peixes e a necessidade do “Slow Fish”

Estamos vivendo uma fase de preocupação com o meio ambiente, e com foco na sustentabilidade. Tudo que vem sendo feito por nós, ainda é pouco para pelo menos minimizar todos os graves problemas que temos. A situação atual nos mares é de 75% do estoque dos peixes do mundo totalmente explorados ou esgotados, e cerca de 90% das populações de peixes como o bacalhau, o atum e o peixe espada estão no fim. Mas porque um blog de gastronomia está falando disso? É nossa obrigação como cozinheiros e/ou consumidores fazermos algo para evitar que o pior aconteça.

Talvez nem todos saibam, mas é importante ressaltar, que o aumento do consumo de alimentos no mundo (inclusive o de peixes) é considerável, e que indo por esse caminho de “não preservação”, o problema futuro da falta de alimentos para todos virá à tona. Tudo isso vem ocorrendo com nossos pescados, pela pesca descontrolada de pessoas que não possuem nenhuma sensibilidade, e que colocam o dinheiro a frente de tudo.

O sistema alimentar mundial que prevalece hoje é o de exploração intensiva de recursos, sem qualquer fiscalização ou preocupação com o meio ambiente. É mais do que necessário uma mudança desse cenário, que vem ocasionando em um desequilíbrio ambiental muito sério e grave. Aliado a isso, praticas erradas de obtenção dos peixes são vistas a todo o momento, como a excessiva pesca de navios estrangeiros, a pesca pirata, a pesca de arrasto, e também o cultivo das espécies feitas de maneira errada.

O “Slow Food”, movimento que defende há tanto tempo a biodiversidade, e que eu faço questão de apoiar, criou uma série de tópicos importantes e necessários para o consumo e obtenção de pescados, sem que haja a necessidade de interromper por completo o consumo. O “Slow Fish” defende a pesca artesanal, as espécies esquecidas, e o consumo consciente e responsável. Através de uma “trilogia”, o Slow Fish mostra como deve ser um peixe ideal: o “peixe justo”, com preços acessíveis para todos, mas que valorize também o produtor, o “peixe limpo”, que é produzido por métodos que respeitam o meio ambiente e a nossa saúde, e por ultimo o “peixe bom”, o peixe fresco, saboroso e da estação.

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Comer de forma “lenta”, sempre escolhendo peixes bons limpos e justos, orientar o mercado para uma gestão responsável de recursos do mar, comprar peixes que não estejam em risco de extinção, e boicotar as praticas erradas como a pesca excessiva, são algumas ações que podemos fazer para minimizar os problemas atuais. É preciso sempre valorizar quem pesca com técnicas sustentáveis, pois o CONSUMO CONSCIENTE é a chave para mudarmos essa situação de esgotamento do estoque dos peixes.

A pesca artesanal muito defendida e apoiada pelo Slow Fish, na maioria das vezes selecionam os pescados, o que não ocorre com a absurda pesca de arrasto, que através de uma rede, puxa diversas espécies de tamanhos diferentes, e também as sem valor comercial, que são devolvidas para o mar mortas ou muito machucadas. É muito importante valorizar esses profissionais da pesca artesanal (comprando deles), para ajudar a sustenta-los, minimizando a enorme pressão que sofrem da pesca industrial ou pirata.

A enorme demanda por peixes está fazendo com que os mesmos não tenham tempo hábil para crescer e se reproduzir, o que prejudica toda uma população. Consumir espécies fora da época reprodutiva, de tamanho adulto, e de preferencia com curto ciclo de vida é o ideal. Para aliviar a sobrepesca de algumas espécies, o redescobrimento e o consumo de espécies rejeitadas e/ou esquecidas é uma excelente alternativa citada pelo Slow Fish.

A mudança desse triste panorama só depende de nós, e não podemos simplesmente ignorar o caso. É muito triste pensar que o dinheiro é colocado na frente de uma situação dessas, e que existem pessoas que não ligam para tal problema. É preciso viver em sinergia com o meio ambiente, para diminuir esse desequilibro ambiental presente. Fazendo pouca coisa como procurar saber de onde vem o peixe que você está comprando, priorizar as espécies sem risco de extinção e comprar sempre de pescadores locais, é um ótimo inicio para mudar essa situação.

A escolha é nossa: ou caminhamos para a extinção de mais e mais espécies de peixes, ou podemos lutar para um consumo regulado e consciente. O Atum Azul já não tem mais, qual será o próximo?

Pedro Frade

Credits Photo: Greenpeace.org

Credits Photo: Greenpeace.org

Links:

– Slow Fish: http://www.slowfood.com/slowfish

– Slow Fish Brasil: http://www.slowfoodbrasil.com/slowfish

– Lista Vermelha (peixes em extinção): http://www.greenpeace.org/portugal/Global/portugal/report/2008/6/lista-vermelha-peixes.pdf

– Dados e números: http://www.greenpeace.org/international/en/


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